domingo, 8 de maio de 2011

Ultrasom dos sentimentos



Há 20 anos atrás minha mãe me carregava em sua barriga. Eu que devo ter sido do tipo de bebê espaçoso provavelmente incomodei muito durante a gestação. Minha mãe afirma que nunca esteve mais próximo do estado de maior mamífero do mundo durante a gestação: baleia. Pra mim, ela só estava um pouco inchada mas com uma carinha de feliz.
Bom, como vocês percebem, eu nasci. Dei muito trabalho pra ela, sempre me machucando, dando problemas na escola, fazendo ela sair do emprego pra me buscar no colégio porque me meti em encrenca.
A minha mãe me aguentou durante minha puberdade. Com certeza foi uma das épocas mais difíceis da minha vida, porque além de termos nos distanciado devido sua saída de casa, eu nunca fui lá muito fácil. Minha mãe me ouviu falar as coisas que mais me arrependo até hoje. Ela me abraçou, me beijou, enquanto eu estava furiosa com ela. Ela me ligou pedindo desculpas ou tentando puxar assunto mesmo quando a culpa da briga era minha. Ela me suportou, me incentivou, me elogiou mesmo quando eu não merecia. A minha mãe me ama incondicionalmente, como ninguém jamais me amou, me perdoou por todos os meus erros e comemorou comigo as minhas vitórias. A minha mãe mesmo com o coração na mão, me incentivou a sair de casa, a ir ver o mundo a escolher o caminho que eu devo seguir em minha vida adulta.
A minha mãe é cheia de defeitos e muitos deles eu vejo em mim: a ansiedade, a necessidade de ter mil projetos em mente, a desorganização, a cobrança exagerada em si mesma. Mas isso nem se compara ao tanto de qualidades que ela tem, e eu irei escrever algumas: O senso de humor, o dom de cozinhar, a independência, a inteligência e o jogo de cintura.
O nome da minha mãe é Sofia. E como sugere o nome, ela é sim cheia de sabedoria. Ela teve força pra me criar e me ajudar a ser quem eu sou hoje. Eu sou muito grata a tudo que ela fez por mim e tudo que ainda fará, porque eu sei que com ela eu posso contar de verdade. A minha mãe nunca faria nada para me machucar e ter alguém assim no mundo é simplesmente a melhor coisa.
Esse é o primeiro dia das mães que eu não posso estar em casa e preparar o café da manhã, acordar meu irmão pra fazer ele assinar o cartão, dar um abraço apertado, deitar do lado dela e conversar sobre nada em um domingo de manhã. Sei que talvez a ausência se torne mais usual nos próximos anos, mas o amor que eu tenho não vai diminuir, isso é certo.
Quando eu vim pra cá, minha mãe me puxou em um canto do aeroporto e me falou entre algumas tímidas lágrimas (afinal uma mulher Piantavini não chora na frente de ninguém) que tinha muito medo que nossos laços se soltassem. Escrevo aqui para dizer que eu nunca estive tão perto da minha mãe. Entendo muito mais suas decisões e atitudes e só posso dizer que tenho orgulho de ser sua filha e espero ser para os meus filhos pelo menos metade do que você foi para mim. Te amo!

4 comentários:

  1. lindo texto anna!
    Mt bem escrito também,mostrou a veia literaria ;)

    parabens e beijao, (e bjo pra sofia)

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  2. Anna,
    Você é uma figurinha mesmo. Gosta de fazer a gente chorar... Parabéns pelo texto e por este amor tão verdadeiro.
    Um grande abraço!!
    Patricia Coelho

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