terça-feira, 12 de abril de 2011

O Terminal - Baseado em uma história real



Tudo começou quando eu decidi ir pra Nova York: passagens compradas, hostel reservado e muita ansiedade. O fato de eu estar indo sozinha já não me apavorava, por ter feito isso antes. Como uma boa procrastinadora, arrumei a mala uma noite antes, tudo bem organizado, mala semi-vazia com o intuito de satisfazer alguns desejos capitalistas na grande maçã. Tudo correu como o planejado: O vôo chegou no horário, peguei o shuttle do aeroporto até a grande estação, descobri como ir de metrô até o hostel (graças a uma menina no ônibus que estava ajudando todo mundo). Quando subi da estação de metrô tentei entender o mapa e logo logo estava na frente do que seria o meu hostel... Uma portinha, que de dentro ouvia-se choro de criança. Um parrudão abriu a porta com a criança no colo. Pensei "já era, tô no lugar errado", mas pro meu alívio (ou não) era ali mesmo. Gente gritando em espanhol, criança correndo, orientais que não falavam inglês com um sorriso receptivo no rosto. Depois de um banho, conheci o pessoal que estava hospedado e fui dormir. No outro dia descobri que tinha um brasileiro hospedado lá também, então aproveitei a preguiça linguistica e fomos ver alguns pontos turisticos juntos. O tempo todo em Nova York foi maravilhoso: Empire state, soHo, chinatown, Estátua da liberdade, compras, central park, carrinho de sorvete com música e crianças jogando basquete na rua. No ultimo dia precisava fazer algumas comprinhas a mais e fui sozinha pra 5a avenida. Percebi uma pessoa me seguindo e então entrei na primeira loja que vi. Pra minha surpresa o Don Corleone (o cara tinha maior cara de mafioso) entrou também. Logo o segurança veio perguntar o que ele fazia ali, depois dele ter passado por mim umas 3 vezes e pedido licença, o cara foi embora. Na hora de pagar percebi algo estranho: carteira pendurada, celular sumido e 50 dolares que não estavam mais lá. Sabe-se lá se foi o tal mafioso ou qualquer outra pessoa, ou se fui eu mesma. Decidi voltar pro hostel já que estava sem relógio e avisar minha família aqui da Holanda que estava sem celular. Quando chego no hostel mais uma surpresa: Me mandaram um email avisando que acharam meu celular. 5 minutos depois outra surpresa: Perdi meu vôo. Quem me conhece sabe: Sou avoada, relaxada e procrastinadora de carteirinha. Um email em holandês, em Nova York, com preguiça, meu cérebro se confundiu e ao invés de trocar seis por meia dúzia trocou segunda por terça. Claro que me bateu um desespero, mas como sempre acho que tudo vai dar certo no final só comecei a suar e pensei em resolver um problema por vez: primeiro o celular. Peguei o endereço aonde meu celular estava, peguei minhas malas e fui até o bendito. Chegando perto do endereço e olhando no mapa, um homem se aproxima e pergunta se preciso de ajuda. Aceito. Explico a história, ele se comove e me leva até o prédio. Pego meu celular, assino os papéis da polícia e vou encontrar o dono do hostel (que, acredite se quiser, se ofereceu pra me levar pro aeroporto). No aeroporto não teve conversa, perdi a passagem e pronto. Depois de chorar até ficar com cara de prostituta barata (não que eu conheça nenhuma e nem que eu saiba que cara elas tem...) fui pro terminal 4. É, é o terminal que o Tom Hanks ficou no filme mesmo. Lá fiz amizade com alguns brazucas e passei minha noite do lado de um camarada que nem mala tinha. Tive direito a banho de pia com uma drogada semi-nua do meu lado e fast-food de café da manhã. A hora do meu voo chegou e fiz todo processo sacal de check-in. O voo foi um lixo, não deu pra soltar o cinto um segundo porque teve turbulencia o tempo todo. Fiz conexão em Dublin e cheguei em Amsterdam mais cansada do que nunca. Dormi na minha querida cama, jantei comida de verdade, daquelas que você até consegue ir no banheiro depois, (comida bem Holanda, pra quem sabe). Bom, no fim das contas o meu tempo em NY foi ótimo, eu adoro viajar sozinha, dá muito tempo pra se pensar na vida e é bem mais relax. Acho que me deparei com o quanto tudo valia a pena enquanto atravessava a Brooklyn bridge em um pôr-do-sol de tirar o folego.
Nem tudo na vida da gente sái como a gente quer e as vezes nós realmente não podemos fazer nada a respeito. Resta respirar fundo e aproveitar o que pode ser bom, e de preferência de graça, porque agora a pobreza é minha melhor amiga.

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