terça-feira, 12 de julho de 2011

Com muito adeus.

É até um pouco irônico que o título do meu blog seja "sem mais adeus", visto que a coisa que eu mais faço é dar adeus. Adeus à mim mesma, aos meus velhos hábitos. Ao meu conformismo, à minha zona de conforto. Adeus às pessoas, aos momentos, as lembranças. Agora, depois de um ano sendo au pair estou dando mais um adeus. Adeus a essa família que me acolheu, e que convenhamos, mesmo não sendo a host family mais perfeita desse mundo, vai deixar saudades. Vou sentir saudades de buscar as kids na escola e receber um abraço apertado. De receber lambidas, cartinhas, desenhos, beijinhos com meleca de nariz. Vou sentir saudades de discutir com uma menina de 6 anos que acha que já é adulta. Vou sentir saudades de rir das coisas que o menino fala, porque, sabe-se lá o que ele tá falando mesmo... vou sentir saudades da pequena: da carinha de sono depois da sonequinha da tarde, do sorriso de dentes separados. Vou dizer adeus mais uma vez. Fico triste, aliviada, feliz. Não sei. É só mais uma fase que chega ao fim. E eu gosto de recomeços. Vou sentir saudades desse ano que me marcou. Esse ano mudou minha maneira de olhar o mundo e de encarar meu futuro. Esse ano me ofereceu os melhores amigos mais estranhos que já tive. Um monte de gente que parece que se conheceu porque acabou caindo no mesmo buraco. Esse ano me deu domingos de ressaca e as memórias mais engraçadas que poderia ter. Nem sempre foi fácil: deu saudade, ansiedade, raiva. Mas esse ano me ensinou que tudo acaba, basta paciência. Estou entrando em uma fase nova da minha vida: nova cidade, nova casa, universidade, etc. Estou com medo, confesso. Mas estou muito mais ansiosa e na expectativa de que os anos bons só estão começando. E que venham muitos "adeus" pela frente.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Partida



- Olha - disse ela tentando desviar o olhar daqueles olhos vermelhos de tristeza - Não é que eu não te ame. Acontece que sempre tenho a sensação de estar me enganando com nossa felicidade. Você me faz feliz. Mesmo. Gosto de estar ao seu lado enquanto você dirige, de abrir a janela e sentir o vento se misturando com o seu perfume. Adoro passar a mão no seu cabelo e sentir o cheiro da sua pele em minha mão. Mas eu, eu não sei. Não sei se vou ser sempre boa para você. Não sei se quero parar de sentir tudo tão cedo, de me acomodar, de estar pronta para ter meus próprios talheres. Não quero uma vida mansa. Quero dor, sofrimento. Pode me chamar de masoquista, egoísta ou qualquer outra coisa. Mas entenda, e por favor não me julgue, por querer essa liberdade louca que ninguém pode me oferecer. Vou sentir sua falta. Vou lembrar de você pra sempre e vou recordar todas as coisas boas que você me fez sentir. Mas não sou quem você conheceu. Hoje eu penso por mim, sigo os meus ideais e se você não puder me acompanhar, não posso esperar. Quem sabe lá na frente a gente se esbarre em algum corredor de mercado ou em alguma liquidação louca em algum shopping de bairro. Quem sabe lá eu já seja sábia e velha o suficiente para escolher pelo palpável e certo. Mas não estou pronta para isso e só lhe peço que me entenda.

Então ela fechou a velha maleta, assim como havia fechado seu coração.

domingo, 8 de maio de 2011

Ultrasom dos sentimentos



Há 20 anos atrás minha mãe me carregava em sua barriga. Eu que devo ter sido do tipo de bebê espaçoso provavelmente incomodei muito durante a gestação. Minha mãe afirma que nunca esteve mais próximo do estado de maior mamífero do mundo durante a gestação: baleia. Pra mim, ela só estava um pouco inchada mas com uma carinha de feliz.
Bom, como vocês percebem, eu nasci. Dei muito trabalho pra ela, sempre me machucando, dando problemas na escola, fazendo ela sair do emprego pra me buscar no colégio porque me meti em encrenca.
A minha mãe me aguentou durante minha puberdade. Com certeza foi uma das épocas mais difíceis da minha vida, porque além de termos nos distanciado devido sua saída de casa, eu nunca fui lá muito fácil. Minha mãe me ouviu falar as coisas que mais me arrependo até hoje. Ela me abraçou, me beijou, enquanto eu estava furiosa com ela. Ela me ligou pedindo desculpas ou tentando puxar assunto mesmo quando a culpa da briga era minha. Ela me suportou, me incentivou, me elogiou mesmo quando eu não merecia. A minha mãe me ama incondicionalmente, como ninguém jamais me amou, me perdoou por todos os meus erros e comemorou comigo as minhas vitórias. A minha mãe mesmo com o coração na mão, me incentivou a sair de casa, a ir ver o mundo a escolher o caminho que eu devo seguir em minha vida adulta.
A minha mãe é cheia de defeitos e muitos deles eu vejo em mim: a ansiedade, a necessidade de ter mil projetos em mente, a desorganização, a cobrança exagerada em si mesma. Mas isso nem se compara ao tanto de qualidades que ela tem, e eu irei escrever algumas: O senso de humor, o dom de cozinhar, a independência, a inteligência e o jogo de cintura.
O nome da minha mãe é Sofia. E como sugere o nome, ela é sim cheia de sabedoria. Ela teve força pra me criar e me ajudar a ser quem eu sou hoje. Eu sou muito grata a tudo que ela fez por mim e tudo que ainda fará, porque eu sei que com ela eu posso contar de verdade. A minha mãe nunca faria nada para me machucar e ter alguém assim no mundo é simplesmente a melhor coisa.
Esse é o primeiro dia das mães que eu não posso estar em casa e preparar o café da manhã, acordar meu irmão pra fazer ele assinar o cartão, dar um abraço apertado, deitar do lado dela e conversar sobre nada em um domingo de manhã. Sei que talvez a ausência se torne mais usual nos próximos anos, mas o amor que eu tenho não vai diminuir, isso é certo.
Quando eu vim pra cá, minha mãe me puxou em um canto do aeroporto e me falou entre algumas tímidas lágrimas (afinal uma mulher Piantavini não chora na frente de ninguém) que tinha muito medo que nossos laços se soltassem. Escrevo aqui para dizer que eu nunca estive tão perto da minha mãe. Entendo muito mais suas decisões e atitudes e só posso dizer que tenho orgulho de ser sua filha e espero ser para os meus filhos pelo menos metade do que você foi para mim. Te amo!